Todo imposto novo nasce com o mesmo batismo: "é simbólico", "é só um centavinho", "é pela causa nobre do momento". Depois vira permanente, vira progressivo, vira a conta de luz do cidadão. A regra é imutável: o que entra no cofre do Leviatã jamais sai, apenas se multiplica em novos nomes criativos. Contribuição, taxa, tributo, aporte compulsório, cota solidária. Mudam as fantasias, o roubo é o mesmo.
A novidade do momento é taxar o invisível. Primeiro foi o ar condicionado, depois a pegada de carbono, agora é a própria exalação humana transformada em fato gerador. Repare no padrão: quanto mais etéreo o objeto da tributação, mais difícil escapar. Não dá para esconder respiração no paraíso fiscal. Não dá para declarar menos oxigênio no imposto de renda. O Estado descobriu que o cidadão é o melhor ativo tributável do mundo porque ele precisa continuar vivo para pagar a próxima parcela.
E note a genialidade perversa: toda nova extorsão é vendida como salvação planetária, justiça social ou soberania nacional. Nunca como o que realmente é, ou seja, uma mangueira enfiada direto na jugular do produtivo para irrigar o jardim do improdutivo com poder. Siga o dinheiro e você sempre encontrará o mesmo endereço: um prédio enorme em Brasília, com ar condicionado central pago por você, onde ninguém respira de graça exceto quem decide quanto você vai pagar para continuar vivo.
A análise e opinião são do O Algoz.
