Prometeram um imposto unico e entregaram uma sopa de letrinhas com sabor de sangue. A promessa era enxugar a maquina; o resultado, previsivel para quem segue o dinheiro, foi engordar a besta com um novo cardapio: aliquota-padrao inflada, imposto seletivo elastico, contribuicoes "temporarias" que nascem eternas e um comite gestor com mais poder do que muita republica de bananas ja sonhou ter.
A magica retorica e sempre a mesma: chamam de simplificacao o ato de trocar cem correntes por uma so, desde que essa uma seja tres vezes mais pesada. E enquanto o pequeno empresario tenta decifrar em qual das siglas ele se encaixa, o Leviatã ja calibrou a aliquota para cima "por questoes de equilibrio federativo" — traducao livre: faltou dinheiro para o proximo penduricalho.
No fim, o contribuinte descobre que reforma tributaria neste pais nunca foi sobre pagar menos. Foi sobre pagar de forma mais elegante, com boleto bonito, QR Code oficial e um sorriso institucional. O bolso continua vazio, mas agora ele esta vazio em conformidade com a legislacao vigente.
A análise e opinião são do O Algoz.
