A cada ciclo de queda de arrecadação, uma nova sigla nasce no Diário Oficial travestida de justiça social, modernização tributária ou simplificação do sistema. O nome muda, o mecanismo é o mesmo há décadas: encontrar qualquer coisa que o cidadão ainda produza livremente e transformar em fato gerador. Suor é metáfora, mas não por muito. Já se tributa o ar que sai do escapamento, o metro quadrado do quintal, a herança dos mortos, o Pix entre irmãos e o cafezinho do padeiro sob três nomenclaturas diferentes.
O truque retórico é sempre o mesmo: apresentam a nova exação como correção de uma injustiça. Alguém, em algum lugar, estaria escapando de contribuir. E quem paga a conta da suposta injustiça? Nunca o palácio, nunca a estatal deficitária, nunca o cargo comissionado de sétimo escalão. Follow the money: sai do bolso de quem produz, atravessa uma máquina que consome mais da metade no caminho e chega, quando chega, em forma de propaganda oficial dizendo que agora o país é mais justo.
A piada macabra é que o contribuinte brasileiro já opera no limite fisiológico. Trabalha cinco meses por ano só para pagar tributos e ainda precisa sorrir para a câmera institucional que o chama de parceiro do desenvolvimento. Tributar o suor é apenas honestidade semântica: é isso que o Leviatã sempre fez. A diferença é que agora ele quer cobrar em tempo real, gota a gota, antes que evapore.
A análise e opinião são do O Algoz.
