A DBFT — Declaração Bienal de Felicidade Tributária

Toda vez que o cofre range vazio, o Leviatã descobre uma nova jazida: ontem foi o cheque especial, hoje é o PIX, amanhã será o oxigênio. A lógica é sempre a mesma — quando o gasto público não cabe no orçamento, quem tem que caber é o cidadão. E cabe apertado, porque o Estado brasileiro já consome mais de um terço de tudo que se produz no país e ainda assim vive de pires na mão, chorando "crise fiscal" como quem descobriu a pólvora.

O truque é velho e o roteiro se repete: cria-se um imposto "provisório" para uma emergência inventada, depois se descobre que a emergência é permanente, e no ano seguinte a alíquota sobe. Enquanto isso, o Empreendedor fecha as portas, a Inflação come o pão antes de ele chegar à mesa, e o Burocrata ganha promoção por cumprir meta de arrecadação. Follow the money: cada tributo novo não vira hospital, vira folha de pagamento, cargo comissionado e emenda parlamentar. O sorriso do Contribuinte não foi tributado — foi confiscado décadas atrás, na calada da noite, junto com o resto da sua liberdade.

Resta ao cidadão a única arma que ainda não conseguiram taxar: a lucidez. Enxergar que não existe almoço grátis, que todo direito prometido pelo Estado é pago com o direito retirado de outro, e que a máquina que jura protegê-lo é a mesma que o esmaga. Rir disso já é um ato de resistência — por enquanto.

A análise e opinião são do O Algoz.