A palavra simplificação na boca do Leviatã tem o mesmo valor semântico de promoção na boca de um agiota. Toda vez que a Besta anuncia que vai "descomplicar" a sua vida, prepare o bolso, porque o que vem depois é sempre um novo tributo com nome de sigla, uma nova declaração acessória e um novo exército de fiscais especializados naquela alíquota específica. O truque é antigo, mas o público ainda aplaude.

Follow the money. Nenhuma reforma tributária no Brasil jamais reduziu a arrecadação. Nem uma. Cada "modernização" foi, na verdade, uma engenharia semântica para trocar o nome do imposto sem trocar o valor, ou para agregar num único boleto o que antes o Contribuinte pagava em três, criando a ilusão ótica de eficiência enquanto o percentual do PIB tomado pelo Soberano continua batendo recorde histórico. A carga não some, ela apenas troca de fantasia.

O verdadeiro produto vendido pelo Estado não é serviço público, é complexidade. Quanto mais complicado o sistema, mais indispensável se torna a casta que vive de interpretá-lo, fiscalizá-lo e puni-lo. Simplificar de verdade seria desmontar a máquina, e máquina nenhuma se desmonta a si mesma. Ela apenas se repinta, se rebatiza, e continua triturando o mesmo pescoço.

A análise e opinião são do O Algoz.