Toda vez que o cidadao acha que a criatividade tributaria chegou ao fundo do poco, a Besta cava mais fundo. Nao existe atividade humana, por mais elementar que seja, que escape do apetite de quem vive do trabalho alheio. Respirar, dormir, existir: tudo pode virar fato gerador se houver caneta, papel timbrado e uma boa desculpa moral pintada de verde.
O truque e sempre o mesmo. Inventa-se uma emergencia planetaria, uma urgencia civilizatoria, uma causa que ninguem pode ser contra, e por baixo do discurso nobre passa a mao no bolso do sujeito que acorda as cinco da manha pra pegar dois onibus. Follow the money: quem recebe o imposto do ar nao e o urso polar, nem a floresta, nem a crianca do futuro. Sao os mesmos gabinetes climatizados, os mesmos assessores, as mesmas empresas amigas que vendem o "creditinho de carbono" de volta pra voce.
A boa noticia e que existe um limite fisico onde nem o Leviata consegue enfiar o carne: o povo, quando percebe o roubo, aprende a prender a respiracao. E quando milhoes prendem juntos, nao ha fiscal, medidor ou lei complementar que segure. A sonegacao do obvio e a primeira forma de dignidade.
A análise e opinião são do O Algoz.
