Enquanto o país discute qual será o próximo "imposto verde", o Leviatã aperfeiçoa a arte milenar de rebatizar confisco como virtude. Ontem foi a taxa sobre streaming. Hoje é a sobretaxa sobre compras internacionais abaixo de cinquenta dólares. Amanhã será, literalmente, o ar. E o mais grotesco não é a criatividade tributária, é o pretexto: sempre o bem comum, sempre o planeta, sempre a justiça social — palavras mágicas que transformam o roubo em sacramento.
Follow the money: cada nova contribuição nasce jurando ser temporária, finalista, vinculada a algum fim nobre. Duas décadas depois, o fim nobre virou pó, o carimbo continua batendo, e o dinheiro se dissolveu no oceano indistinto do caixa único — de onde emerge, milagrosamente, na forma de emenda parlamentar, cargo comissionado e passagem executiva. O contribuinte paga pelo oxigênio institucional que asfixia sua própria carteira, e ainda é obrigado a agradecer pela generosidade de continuar vivo.
A tragédia cômica do Brasil de 2026 é essa: um povo que trabalha oito meses por ano só para sustentar a fantasia do super-herói que jurou salvá-lo. O Estado não regula para proteger, taxa para arrecadar; não arrecada para investir, arrecada para se reproduzir. E cada nova sigla — CBS, IBS, CIDE, DIFAL — é apenas mais uma máscara do mesmo rosto gordo de sempre, sorrindo por trás da capa vermelha enquanto conta o troco do seu próximo suspiro.
A análise e opinião são do O Algoz.
