A Taxa do Ar Puro (ou "Respirar Virou Fato Gerador")

Toda vez que o cofre range vazio, a resposta e sempre a mesma: inventar mais uma sigla de tres letras para tirar do bolso de quem ainda produz. Nao importa se e CIDE, CBS, IBS, DIFAL, CSLL ou qualquer outro acronimo perfumado com verniz tecnico. O mecanismo e identico: fabrica-se uma "externalidade", inventa-se uma "compensacao", e o cidadao comum descobre que respirar, dirigir, vender, comprar, guardar ou gastar ja virou fato gerador. Follow the money: ninguem cria tributo pensando no planeta, no pobre ou no futuro. Cria-se tributo porque a maquina precisa se alimentar, e ela ja comeu tudo que era liquido.

O truque narrativo e sempre o mesmo. Primeiro se decreta uma crise urgente e apocaliptica, seja climatica, sanitaria, social ou moral. Depois se apresenta a solucao milagrosa: mais Estado, mais imposto, mais carimbo. Nunca menos gasto, nunca menos privilegio, nunca menos supersalario, nunca menos aparelhamento. A conta cai sempre no mesmo lugar: no sujeito magro, cansado, de bolso furado, que acorda cedo e volta tarde pra descobrir que agora respirar tambem tem boleto. E o mais grotesco: aplaudem a novidade em rede nacional, chamando de "justica tributaria".

Enquanto isso, os verdadeiros grandes emissores, os verdadeiros grandes devedores, os verdadeiros grandes beneficiarios do orcamento seguem intocados, protegidos por leis que eles mesmos redigiram nas madrugadas de Brasilia. O contribuinte, esse heroi tragico, paga a conta do ar que respira sem nunca ter assinado o contrato. A analise e opiniao sao do O Algoz.