A Taxa do Ar-Que-Voce-Respira Chegou
QUADRO 1

Sala escura e imponente. O ESTADO, gordo, de terno preto e capa vermelha esvoacando, esta debrucado sobre uma planilha gigantesca projetada na parede. Olhos brilhando em verde-cifrao. Ao redor, um exe

O ESTADO: "Impossivel... nao pode ser... ainda existe UMA coisa que o brasileiro faz de graca?!"

QUADRO 2

Close no ESTADO apontando triunfante para uma unica linha em branco na planilha. Ao lado dele, A INFLACAO, femme fatale de vestido vermelho derretendo, aplaude com luvas longas. Um BUROCRATA se aproxi

O ESTADO: "O AR! Eles ainda respiram sem pagar nada! Isso e concorrencia desleal com o oxigenio estatal!"

QUADRO 3

Rua comum. O CONTRIBUINTE, magro, olheiras, camisa surrada, esta parado no ponto de onibus lendo o jornal. Manchete gigantesca: "CBR - CONTRIBUICAO BASICA RESPIRATORIA: 0,27 CENTAVOS POR INSPIRACAO. F

CONTRIBUINTE (sem expressao): "Entao era isso que faltava."

QUADRO 4

PUNCHLINE. O ESTADO aparece na TV gigante no meio da praca, sorriso largo, dedo em riste, prometendo "justica social". O CONTRIBUINTE, de frente para a tela, prende a respiracao com as bochechas infla

CRIANCA: "Pai, voce vai morrer asfixiado."

Toda vez que o cidadao acredita ter chegado ao fundo do poco tributario, o Leviatã aparece com uma pa nova e cava mais fundo. A criatividade fiscal e o unico setor da economia brasileira que jamais entra em recessao. Enquanto a produtividade despenca, hospitais desabam e escolas fabricam analfabetos funcionais, o aparato estatal opera em ritmo de silicon valley quando o assunto e inventar novas formas de meter a mao no seu bolso.

A logica e sempre a mesma: cria-se uma "contribuicao" com nome bonito, promete-se destinacao nobre, jura-se que sera "temporaria", e vinte anos depois ela virou permanente, aumentou tres vezes e financia o cafezinho de alguma secretaria que ninguem sabe pra que serve. Follow the money: cada centavo arrancado a forca do trabalhador vira gasolina para a maquina que existe para se autoperpetuar. O suposto beneficiario final, o povo, e apenas o alibi moral da extorsao.

O mais tragico nao e o imposto novo. E a resignacao. E o cidadao que ja aceitou que respirar tambem tem preco, que existir e um privilegio concedido pelo soberano, que a liberdade e uma mercadoria com aliquota progressiva. O dia em que o brasileiro parar de prender a respiracao por economia e comecar a prender por revolta, a Besta vai descobrir que o unico recurso verdadeiramente infinito nunca foi o dinheiro impresso, mas a paciencia de quem sustenta o circo.

A análise e opinião são do O Algoz.