A Taxa do Ar Respirado com Consciência

O Brasil de 2026 descobriu, enfim, o santo graal da arrecadação: a fisiologia humana. Sob a bandeira nobilíssima da agenda climática, a Besta encontrou um fato gerador que ninguém pode terceirizar, deslocar para o Paraguai ou esconder em offshore. Você respira, logo você deve. E se não respira, deve mais ainda, porque virou sonegador póstumo. O truque é antigo, a embalagem é que ficou verde.

Repare no roteiro: cria-se uma emergência global, importa-se o vocabulário de fora, e transforma-se cada função vital num contrato compulsório com o Leviatã. Ontem foi a CBS sobre serviços que você não pediu, hoje é a CIDE sobre o ar que você não escolheu inalar, amanhã será a contribuição solidária sobre o batimento cardíaco em excesso. Follow the money: a arrecadação não vai financiar floresta nenhuma, vai pagar a folha inchada dos exércitos de carimbadores que precisam justificar a própria existência inventando novas guias para você preencher.

O empreendedor fecha as portas, o trabalhador para de crescer para não subir de faixa, e a Inflação, sócia oculta e mais eficiente que qualquer Receita, come o resto sem precisar de decreto. Enquanto isso, no salão dourado, brinda-se ao sucesso ambiental. A verdade nua é que nunca houve tributo que salvasse planeta algum, mas sempre houve planeta suficiente para justificar mais um tributo. A análise e opinião são do O Algoz.