Toda vez que a arrecadação bate no teto e o gasto público estoura o piso, surge do nada uma nova taxa vestida de virtude. Ontem era o cigarro, depois o refrigerante, depois a sacola plástica, depois o streaming, depois o pix acima de tal valor. Hoje, a bola da vez é a pegada de carbono — o álibi perfeito, porque ninguém consegue provar que não polui, e todo mundo, ao respirar, é réu confesso. O truque é sempre o mesmo: escolhe-se uma pauta moralmente inatacável, cola-se um tributo em cima, e quem reclama vira inimigo do planeta, da criança, do futuro, do panda.
Follow the money: nenhum centavo dessas contribuições "ambientais" jamais planta uma árvore. Ele vaza, como sempre, pelo mesmo ralo — folha inchada, cargo comissionado, fundo partidário, subsídio a amigo do rei. O verde da bandeira é só o marketing; o verde que interessa está na conta do Tesouro. E o mais grotesco: o mesmo Estado que taxa seu suspiro é o que queima combustível em comitiva de vinte carros para ir a uma conferência do clima do outro lado do mundo discutir a sua emissão.
Enquanto isso, o cidadão comum é reduzido a fato gerador ambulante. Cada gesto humano — trabalhar, consumir, existir, respirar — vira hipótese de incidência. Quando o próprio ato de estar vivo é tributado, não sobra liberdade nenhuma para defender: sobra apenas o pulmão, e mesmo esse já está sob auditoria. A análise e opinião são do O Algoz.
