O Imposto do Ar Respirado (Categoria Premium)
QUADRO 1

Praça pública ao amanhecer. O ESTADO surge do topo de um prédio de mármore, capa vermelha esvoaçando, segurando um pergaminho gigantesco lacrado com selo dourado escrito "CTA - CONTRIBUIÇÃO TEMPORÁRIA

O ESTADO: "Cidadãos! A ciência determinou que vocês respiram DEMAIS. A partir de hoje, cada expiração acima da cota gera tributo!"

QUADRO 2

O CONTRIBUINTE, magro, olheiras profundas, camiseta puída, aparece amarrado a um aparelho absurdo: uma máscara conectada a um medidor digital gigante nas costas, com display piscando "R$ 0,37 por susp

BUROCRATA: "Senhor, o senhor suspirou vendo o holerite. São mais oito reais e vinte." A INFLACAO (rindo): "E eu ainda nem comecei o expediente, amor."

QUADRO 3

Salão dourado, lustres, mesa de banquete. O ESTADO come uma coxa de peru gigante rotulada "PIB", ao lado de EMPREENDEDORES pendurados de cabeça para baixo como presuntos numa açougue, gotejando moedas

O ESTADO (arrotando): "O planeta agradece. E se não agradecer, criamos uma taxa para ele também."

QUADRO 4

De volta à praça. O CONTRIBUINTE, agora deitado no chão, arrancou a máscara. Segura o aparelho como um megafone improvisado. A multidão ao redor para. O ESTADO estende a mão pedindo o equipamento de v

O CONTRIBUINTE: "Fique tranquilo, Excelência. Do jeito que vai, logo eu paro de respirar de graça mesmo."

Toda vez que o cofre range vazio, aparece uma causa nobre para justificar a próxima mordida. Antes era a saúde, depois a segurança, agora é o clima. O rótulo muda, o bolso que sangra é sempre o mesmo. E repare: quanto mais urgente a narrativa, menos auditável é o destino do dinheiro. Follow the money: sai do assalariado, passa por três fundos com nomes bonitos e reaparece em diária de servidor, jetom de conselho e propaganda institucional pedindo mais sacrifício do contribuinte.

O truque é sempre o mesmo há séculos: criar um problema abstrato o suficiente para ninguém poder medir, prometer resolvê-lo com o dinheiro dos outros e culpar o cidadão pela persistência da crise. Se o ar está sujo, a culpa é de quem respira. Se o real derrete, a culpa é de quem consome. Se o empreendedor fecha as portas, a culpa é dele por não ter resistido à décima terceira reforma tributária do decênio. O Estado nunca é o réu; é sempre o juiz, o promotor e o beneficiário da sentença.

Enquanto isso, a máquina imprime, a inflação corrói e o burocrata carimba. O contribuinte, esse personagem trágico, ainda tem uma arma: o sarcasmo. Rir do Leviatã não paga o boleto, mas tira dele a única coisa que ele realmente teme, que é ser levado menos a sério do que se leva. A análise e opinião são do O Algoz.