Olha o truque que dura há dois séculos: prometem igualdade, entregam fila, e ainda exigem aplauso. O igualitarismo não é uma ideia que sobrevive aos seus resultados, é uma ideia que prospera justamente por causa deles. Cada plano de nivelar renda, escola, mercado ou propriedade termina em escassez, fuga de capital, mediocridade premiada e talento punido. E aí, milagre dos milagres, surge a próxima geração de iluminados explicando que o problema foi a dose, nunca o remédio. Quer dizer, o paciente morreu, mas o tratamento estava correto.

É preciso entender que a desigualdade não é uma anomalia do mundo, é a forma do mundo. Pessoas diferentes produzem coisas diferentes, valorizam coisas diferentes, arriscam de modos diferentes e colhem resultados diferentes. Quem nasce com talento para a música não terá o mesmo destino econômico de quem nasce com pavor de palco; quem poupa por trinta anos não terminará no mesmo lugar de quem gastou tudo em fim de semana. Forçar resultados idênticos sobre realidades distintas exige um aparato coercitivo cada vez maior, porque a natureza humana resiste, e quanto mais resiste, mais o burocrata aperta. O fim dessa estrada está documentado em todas as línguas do século vinte, e ainda assim insistem.

Me diz uma coisa, por que ninguém é obrigado a justificar a tese igualitária na largada? Quem propõe tirar de um para dar a outro deveria ter o ônus de explicar por qual critério moral, com qual cálculo, em nome de qual autoridade. Mas inverteram o jogo. Quem trabalha, poupa e prospera é tratado como suspeito por padrão, enquanto o redistribuidor recebe presunção de bondade automática. Toda a carga argumentativa cai sobre quem apenas quer ser deixado em paz com o que produziu. Isso não é debate honesto, é tribunal montado.

Siga o dinheiro e o resto explica sozinho. Programa de transferência cria clientela eleitoral cativa. Política de cota cria carreira para os administradores da cota. Imposto progressivo cria exército de consultores tributários e funcionários da fiscalização. Cada cruzada igualitária financia, em primeiro lugar, a casta que vive de gerenciá-la. O beneficiário final raramente é o pobre prometido; é o intermediário diplomado que se apresenta como ponte entre a vítima e a justiça. A pobreza permanece porque ela é a matéria-prima do negócio, e ninguém destrói voluntariamente o próprio insumo.

Há ainda o componente psicológico, que talvez seja o mais persistente de todos. O igualitarismo oferece uma narrativa confortável para quem fracassou e uma narrativa culpada para quem venceu. Em vez de encarar a própria responsabilidade, o indivíduo aprende a apontar o sistema; em vez de gozar do mérito, o vencedor aprende a se desculpar por existir. É uma religião invertida que canoniza o ressentimento e excomunga a excelência. E como toda religião sem Deus, precisa de um inferno terreno e de um clero burocrático para administrar a salvação.

O ponto inegociável é este: liberdade produz diferença, e diferença produz prosperidade desigual. Tentar abolir a diferença é tentar abolir a liberdade, e quem abole a liberdade não entrega igualdade nenhuma, entrega apenas uma nova hierarquia, agora comandada por quem se autodeclarou árbitro do que é justo. O nivelamento não nivela, apenas troca a aristocracia do mérito pela aristocracia do carimbo. E o carimbo, ao contrário do mérito, não precisa provar nada para mandar em você.

Com informações da Mises Institute. A análise e opinião são do O Algoz.